segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Como é possível sentir dores ou coceiras em braços ou pernas que já foram amputados?

João de Fernandes Teixeira apresenta no de aniversário de nascimento de Maurice Merleau-Ponty, na revista Filosofia do Portal Ciência e Vida um rápido apontamento sobre a neurociência onde “as teorias de Merleau-Ponty acerca de membros fantasmas ainda despertam interesse”

O autor afirma que membros fantasmas são um desafio para a ciência e a filosofia: como é possível sentir dores ou coceiras em braços ou pernas que já foram amputados?

Merleau-Ponty propõe que se utilize a noção de Heidegger de estar-no-mundo para solucionar esse problema e acredita que a dor nos membros é uma forma de negar a mutilação.

Teixeira como ele mesmo diz, improvisa duas palavras para mostrar rapidamente a noção de corpo de Ponty: o corpo-hábito e o corpo-neste momento. “O corpo-neste-momento é meu corpo tal como ele existe fisicamente aqui e agora e o corpo-hábito é o que é dado pelos meus membros a partir das funções que eles exercem: minhas pernas para andar, minhas mãos para agarrar, e assim por diante.

Conheço meu corpo pela sua orientação prática em direção aos objetos que estão no meu campo de ação, e é essa orientação prática que modela a imagem do meu corpo. A imagem do meu corpo é meu corpo- hábito. Se perco minha perna, tentarei andar com uma perna-fantasma, pois a imagem de meu corpo ainda não estará adaptada à situação atual do meu corpo. Daí as dores e coceiras em um membro fantasma poderem ocorrer mesmo após a amputação, pois meu corpo- neste momento foi amputado, mas meu corpo-hábito não. O reconhecimento da amputação pelo corpo-hábito leva muito tempo e, enquanto isso não ocorrer, as dores em membros fantasmas persistirão”.


Visão Espírita
Depois de perder o braço direito em um ataque que não deu certo a Santa Cruz de Tenerife, Lord Nelson (1758-1805] sofreu dores terríveis no membro fantasma com a inconfundível sensação de dedos se fincando na palma da mão inexistente. Essas sensações fantasmagóricas levou o ilustre almirante dizer que o membro fantasma era “uma prova direta da existência da alma.” 2 Se um braço pode existir depois de retirado, por que a pessoa inteira não pode sobreviver à aniquilação física do corpo?
O ilustre pensador e Codificador Espírita Allan Kardec vem ao encontro do notável almirante britânico, ratificando e complementando:
“O perispírito é o laço que à matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do meio ambiente, do fluido universal. Participa ao mesmo tempo da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria. É o princípio da vida orgânica, porém não o da vida intelectual, que reside no Espírito. É, além disso, o agente das sensações exteriores. No corpo, os órgãos, servindo-lhes de condutos, localizam essas sensações.”

Desse modo, é preciso conhecer um pouco mais sobre o perispírito para compreender essa relação corpo-perispírito-Espírito.
“O perispírito é o agente das sensações externas que se localizam nos órgãos que lhes servem de canais”. Quando o corpo é destruído essas sensações são percebidas de forma generalizada.

Quando os espíritos afirmam sentir dores isto resulta da não separação ainda não realizada entre corpo e perispírito. Não são propriamente dores físicas, mas dores geradas em razão de ainda estar ligado ao corpo, ou seja, uma ilusão que toma como realidade. O perispírito transmite tanto as sensações dolorosas como as sensações prazerosas.

Os espíritos afirmam que muito do sofrimento que temos na Terra advêm da forma como vivemos; de forma equilibrada ou com excessos. A mesma observação pode ser feita sobre os sofrimentos do Espírito que são causados pela ligação entre espírito e matéria quando essa persiste após a morte. Alimentar as paixões, o ódio, a inveja, o ciúme e o orgulho mantém o Espírito ligado ao corpo gerando sofrimentos.


Fontes:
http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/27/imprime105007.asp

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/bernardino/o-membro-fantasma.html
Livro dos Espíritos - Ensaio Teórico sobre a sensação nos Espíritos. Questão 257.

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